Francisco Biojone no MARP – Ribeirão Preto, São – EPTV.Globo

Francisco Biojone: “Não tínhamos normas, tínhamos ideais”

fonte: http://eptv.globo.com/lazerecultura/NOT,2,2,340609,Francisco+BiojoneNao+tinhamos+normas+tinhamos+ideais.aspx

Remanescente do grupo Vanguarda, de Campinas, artista plástico expõe em museu de Ribeirão

18/03/2011 – 19:02

Rodolfo Tiengo – EPTV.com

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“Não seremos velhos amanhã porque teremos mudado”. Restou apenas Francisco Biojone, do “Vanguarda”, de Campinas, para atestar o significado de tais palavras. O trecho acima integra o manifesto publicado pelo proeminente grupo artístico em junho de 1958, no Jornal do Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas (CCLA).

Mais de meio século depois, o artista plástico Francisco Biojone, no alto dos seus 76 anos, guarda ainda os traços do jovem artista sonhador, que se engajou na popularização da arte contemporânea pelo Interior paulista e na elevação dos autores locais aos grandes salões do País e do mundo.

“Minha melhor pintura é aquela que ainda não criei”, diz o pintor, que respira arte 24 horas por dia e não prescinde das visitas diárias ao seu ateliê, no Jardim Paraíso, em Campinas, “nem que seja para limpar as gavetas”, brinca.

Biojone viajou a Ribeirão Preto para uma missão especial. Vinte e um painéis produzidos por ele nos anos 1960, em ecoline sobre papel e grafita, foram selecionados a ocupar, até 24 de março, a exposição “Afinidades”, no térreo do Marp (Museu de Arte de Ribeirão Preto). O espaço leva o nome do amigo e companheiro de ideologias: Pedro Manuel-Gismondi, também representado na mostra com o painel “Pantanal em cinza”.

Artistas contemporâneos

O ribeirão-pretano, assim como Biojone, fazia parte de um grupo com propósito e importância semelhantes aos do Vanguarda. Eram “Os Anacrônicos da Madrugada”, grupo também aderido por Bassano Vaccarini.

“Cada um tinha seu estilo, sua ideologia, mas havia uma união de forças, eram grupos coesos e fortes no interior, que estavam indo para São Paulo”, lembra o campineiro, sobre as inúmeras exposições coletivas e individuais que as parcerias propiciaram. Biojone participou de salões de arte moderna em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, entre outras cidades brasileiras, além das exposições fora do País, como na França, China, EUA, Itália e no México.

O questionamento sobre a estética, incutido nas produções que despontavam em meados do século 20, configurava as bases da recente arte contemporânea, que revelou, por exemplo, a pop art de Andy Wahrol. Enquanto São Paulo e Rio de Janeiro “bombavam” com o novo cenário artístico, no Interior, o construtivismo e o abstracionismo de seus criadores se defrontavam com o estranhamento do público, ainda habituado às produções clássicas. “No Interior não se falava em arte contemporânea, ninguém acreditava no que a gente falava”, afirma Biojone.

Ao se abster de criar rótulos para si (abstrato) e Pedro (figurativo), Biojone demonstra não ter se esquecido das premissas do manifesto vanguardista. “Havia uma coincidência de ideias. Não tínhamos normas, tínhamos ideais”.

Arte em movimento

Perguntar se ainda há lugar para o novo hoje soa mais como provocação do que indagação para o artista plástico, que considera o panorama artístico atual muito mais favorável. “A arte é respeitada, hoje há mais liberdade. Ninguém estranha quando vê uma obra abstrata”, diz. O talento, claro, continua sendo essencial. “Pra você chegar à Capital e se impor, tem que ser bom”.

O otimismo de Biojone se embasa na crença de que a arte está em constante movimento e permite novos olhares, ainda que direcionados às mesmas coisas. O artista relata que teve uma sensação totalmente nova ao conferir de perto o resultado da exposição em Ribeirão Preto, organizada por Fábio Luchiari e Nilton Campos. “A montagem, a elaboração, isso tudo é muito importante”.

Serviço
Exposição “Afinidades”
Local: Marp (Rua Barão do Amazonas, 323, Ribeirão Preto)
Data: até 24 de março
Horários: 9h às 18h (terça a sexta-feira); 12h às 18h (sábados, domingos e feriados)
Informações: (16) 3635 2421

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