Presépio do Pipiripau – BH MG

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Presépio do Pipiripau aberto para visitação neste Natal 2010. De tradição dos colonizadores, os presépios particulares, montados em domicílio, tomam proporções mágicas no Pipiripau. Totalmente automatizado, de forma artesanal, ele é uma visita obrigatória. Um projeto originalíssimo. No Museu de História Natural e Jardim Botânico.

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detalhe do mecanismo: repare roldanas que são rolos de linha/fita.

Sobre o Pipiripau

Os músicos tocam baixinho
Uma suave música fininha
Que sobe prás estrelinhas
Do céu pintado de azul.

Gira e regira na praça
A eterna zanga-burrinha
– Tão engraçadinha

Olha a calma do pescador
Pescando sempre o mesmo peixe
Com o mesmo anzol.

Olha o barqueiro que não é Pedro…

Os meninos perfilados germânicos
Entram na igreja
E saem depressa
E tornam a entrar.

(E tornam a sair)

A atmosfera febril de trabalho
Ferreiros sapateiros mexendo

A calma das casas subindo a ladeira
Descendo a ladeira e os bichos
Cândidos bichos de papelão
Rodeando o menino Jesus que abençoa aquilo tudo!

Meus olhos mineiros namoram o presepe
e dizem alegres: Mas que bonito!

Carlos Drummond de Andrade
(sob o pseudônimo de Antônio Chrispim)
Diário de Minas, 30 de janeiro de 1927

 

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O PRESÉPIO DO PIPIRIPAU
A ObRA
O primeiro movimento do presépio aconteceu em 1906, quando o pequeno Raimundo Machado, na época com 12 anos de idade, colocou o pequetitinho Menino Jesus em uma caixinha de sapatos forrada de musgos e cabelos de milho. Pode ser visto como um gesto simples, mas nunca pequeno. Do nascimento do Menino Jesus nasceu um presépio inteiro. Um presépio de luz, magia e movimento. O Presépio do Pipiripau.

“Mamãe, a gente podia fazer um presepiozinho também em casa.”

Influenciado pelas freqüentes visitas que fazia com sua mãe a igrejas e casas vizinhas na época natalina, o pequeno Raimundo decidiu vender garrafas de óleo de ricínio para poder construir seu próprio presépio. Com os primeiro 400 réis que ganhou, comprou uma imagem do menino Jesus e o rodeou com bichinhos que ele mesmo fez de argila. Após o Natal o pequeno presépio foi guardado para, no próximo ano, ganhar uma gruta e casinhas de papelão. No ano seguinte foi a vez da lagoa se juntar ao cenário. E, assim, ao longo dos anos, o presépio foi ganhando vida e movimento ao sabor da mente criativa do artista.

Gradativamente, novos personagens, confeccionados em sua maioria com massa de papel, papelão e gesso se juntavam ao presépio para narrar a vida de Jesus, do nascimento à ressurreição. No interior dos bonecos, uma estrutura de metal soldado garantia o movimento que encantava os visitantes. Ao lado das cenas bíblicas, o trabalho e o lazer eram representados em diversas cenas móveis. Carpinteiros, pescadores, lavadeiras e lenheiros dividem a cena com os músicos da banda, o sanfoneiro e com as crianças e suas brincadeiras. Passagens bíblicas contextualizadas em uma cidade com suas artes e ofícios deixam transparecer a maneira singular de percepção do mundo dentro de Raimundo.

O movimento do presépio começou no próprio corpo do artesão. Na cadencia de seus pés e suas mãos funcionava o sistema de repuxo d’água inventado por ele para movimentar a lagoa. Algum tempo depois, as mãos de Raimundo puderam descansar um pouco ao passar o impulso do movimento para um velho gramofone de corda: agora a procissão entrava na igreja ao bater dos sinos, enquanto o lenhador cortava a árvore e o pescador e outras figuras se movimentavam. O pequeno lampião de querosene foi substituído por um gasômetro que fez o presépio “dobrar de bonito” com tanto brilho! Aos poucos, Raimundo bolava novos equipamentos que traziam mais beleza a sua obra. A máquina a vapor, em 1920, trouxe energia, a eletricidade, em 1927, trouxe a luz. Hoje, é um motor elétrico ligado a fios, barbantes e cordas que movimenta a arte do Pipiripau.

Paciência, cuidado, criatividade. As 586 figuras móveis distribuídas em 45 cenas, que ao longo de oitenta anos ocuparam o coração de Raimundo, ocupam hoje 20 m2 no Museu. Um universo mágico nascido de uma mente encantada pela fé, construído por mãos curiosas pela arte e imortalizado pela eterna dedicação de seu criador.

 

Veja também sobre o Presépio do Pipiripau:
Introdução
O artista
Presépio do Pipiripin

como chegar:

Acessos:
Portaria I (Rua Gustavo da Silveira, 1035, Santa Inês)
Estacionamento externo em área segura e arborizada.
Não é permitido o acesso de veículos (exceto veículos de serviço ou especialmente autorizados)

Metrô:
Estação Santa Inês

Ônibus:
4665, 4802, 8001, 9105, 9205, 9207, 9550

Horários:
– de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 16h;
– sábado e domingo, das 10h às 17h.
Obs.: O MHNJB está fechado para visitas às segundas-feiras.

 

IMPORTANTE:
Os visitantes individuais ou em grupos de até 12 pessoas não precisam fazer agendamento prévio para visitar o MHNJB.
Para saber mais sobre as visitas ao MHNJB, clique aqui.

fonte:

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