Museu dos Brinquedos

BRINQUEDOS E BRINCADEIRAS
A fascinante história dos brinquedos e das brincadeirasMuseu do Brinquedo BH – MG
Os brinquedos surgiram com o desenvolvimento da sociedade e sempre foram ferramentas usadas pelo homem em sua relação com o mundo a seu redor. Refletindo sempre a lógica, o desenvolvimento do raciocínio e o que o indivíduo entendia do ambiente do qual fazia parte, os brinquedos eram frutos do que se compreendia da natureza e da sua interação com ela.

Foi nesse momento que surgiram os brinquedos como o pião, inventado e usado como instrumento de adivinhação, capaz de recriar o movimento dos astros, interpretar o aconteceria no futuro breve e descobrir como seria o tempo, a colheita, as guerras, para que o homem se preparasse para estas situações. Os jogos de tabuleiros,como o xadrez, também surgiram com o objetivo de adivinhação. Hoje o pião é usado como divertimento,além de mostrar um verdadeiro espetáculo de habilidade e beleza.

Mais dois exemplos legais são os dados e o dominó. Os dados sempre foram usados para definir a sorte e azar e surgiram em formato de cubo na Grécia, mas nesta época já existiam na Índia, no Egito, na Pérsia e na Rússia em forma de pirâmide. Um dia, os chineses tiveram idéia de estender os dados e inventaram o dominó.Feitos de osso e marfim, quando os monges o jogavam diziam Domino gratias, “graças a Deus”, em latim. Daí vem seu nome Dominó. No Brasil, o dominó chegou através dos portugueses no século XVI e virou passatempo dos escravos.

Há muito outros exemplos desta relação do homem com o ambiente do qual faz parte e de sua eterna busca em imitar o real para melhor entendê-lo. É o caso quebra-cabeça, inventado 1763 pelo inglês John Spilsbury que fazia mapas e gravuras. Ele teve a idéia de criar um mapa dividido em peças de madeira para ajudar os professores a ensinar geografia para as crianças. Na sala de aula, as crianças gostaram tanto que logo virou um passa-tempo divertido.

Outro brinquedo interessante que surgiu demonstrando acontecimentos da sociedade é a marionete – nome que vem de Marion – diminutivo de Maria. Sua origem está relacionada com o nascimento do teatro, quando, na China do século XVI, estatuetas até então utilizadas para os ritos funerários passaram a ser usadas também como personagens de espetáculos. Ficaram tão conhecidas que as crianças passaram a desejar como brinquedos pra elas mais tarde.

Mais uma história interessante é a da pipa, que pode existir em variadas versões: papagaio, pipa, pandorga, frecha, arraia, curica, califa… Apareceram na China mil anos antes de Cristo e, antes de ser um brinquedo, era um sinalizador militar. A cor da pipa, sua pintura e os movimentos que fazia no ar serviam para passar mensagens entre os campos de guerra. Hoje, no Oriente, as pipas têm ainda um significado religioso, tendo por finalidade “espantar maus espíritos”.
Já da relação do homem com elementos da natureza surgem alguns brinquedos como as 5 Marias, aro, bola, bolas de gude…Na Antiguidade, os reis passavam o tempo se divertindo com as 5 Marias, que já foram pepitas de ouro, pedras preciosas, marfim ou âmbar. Hoje, bem mais simples, podem ser feitas de saquinhos de pano cheios de areia, ossos, sementes ou caroços de frutas.

A bola é um dos brinquedos mais antigos que existe. Há 6.500 anos já eram feitas de fibra de bambu no Japão e, de pêlos de animais, na China. Romanos e gregos usavam tiras de couro, penas de asas e até bexiga de boi para confeccionar suas bolas.

Já a bola de gude é uma pedrinha redonda e lisa retirada da beira de um rio, podendo ser de argila, madeira, osso de carneiro ou castanha, azeitona, noz e avelã. As bolas de gudes mais antigas já encontradas eram semipreciosas e estavam no túmulo de uma criança egípcia, de 3 mil a.C. Seu uso foi difundido pelo Império Romano.

O aro serviu de base para diversos brinquedos e brincadeiras em várias épocas. Eram feitos de ferro ou madeira e as crianças brincavam com eles pelas ruas e praças. Na Grécia e no Oriente, ele fazia parte da coreografia de dançarinas e foi o precursor do bambolê.

Desta forma, vários brinquedos tradicionais irão nos contar um pouco da história da humanidade, seu desenvolvimento, descobertas, valores, as formas de vida, trabalho e lazer, como pensavam, viam o mundo e interagiam com ele. São brinquedos mais rudimentares, simples, mas ricos em significados e magia de uma época que o ser humano não tinha muito recurso além da sua própria inteligência e poder de imaginação.

O tempo foi passando e na medida em que o homem se desenvolvia intelectualmente,ele não abandonava sua parte lúdica, de criança e toda evolução tecnológica ocorrida nas indústrias de maneira geral irá afetar também a forma de fabricação dos brinquedos. Se antes os brinquedos eram artesanais, frutos da relação do homem com a natureza e com o que já existiam a seu redor, com a descoberta de novos matérias e tecnologias, surgiram também as fábricas de brinquedos e estes deixaram de ser apenas artesanais para serem também manufaturados. E, além de retratar o desenvolvimento econômico, o surgimento da indústria dos brinquedos e especialização da produção de brinquedos destinados especificamente para crianças mostram um momento histórico-social importante: a constituição de uma nova estrutura familiar, na qual a criança e sua infância passam a ser muito valorizados.

Vamos entender esta história com alguns exemplos:

No século XIX, vários inventores tentaram construir as máquinas que fariam o homem voar, se locomover mais rápido em terra, no mar, em trilhos ou até mesmo no espaço. Em pouco tempo, quiseram também transformar estas máquinas em miniaturas que se tornaram brinquedos muito cobiçados entre os meninos. Com tamanhos e modelos variados, muitas das réplicas dos carros, aviões, barcos, trens e naves espaciais foram feitas com os materiais que o homem ia descobrindo e usando no seu dia-a-dia. Primeiro foi a madeira, em seguida a lata, o metal, depois vieram as folhas de aço estanhadas e o papel e, mais tarde, o plástico.

Outro exemplo são as descobertas espaciais: nas década de 60 e 70, quando o homem pisou pela primeira vez na lua, os mistérios do espaço ocupava a cabeça de todos e foi quando começaram a surgir as naves espaciais de brinquedos, os robôs…

Os robôs tiveram seu primeiro impulso durante a Revolução Industrial, quando foram inventados e aperfeiçoados dispositivos automáticos com alavancas capazes de manipular peças, que mais pareciam braços e pernas. E pegando carona nessa história veio também o desenvolvimento tecnológico e eletrônico, que trouxe junto a febre dos jogos eletrônicos.

A história dos videojogos começou em 1949, quando um jovem engenheiro americano chamado Ralph Baer foi designado para construir uma televisão. Ele queria construir algo especial, inovador, e pensou em fazer uma TV que pudesse ser usada para jogos. Contudo, teve que esperar muito para ver sua idéia realizada, pois apenas em 1968, foi lançado o Odyssey 100, o primeiro console – um aparelho que, ligado à televisão, permite ver os jogos – da História.

Como parte também desta evolução estão dois brinquedos muito queridos: as bonecas e os ursos de pelúcia. No Antigo Egito, já foram achadas bonecas em túmulos de crianças, do período situado entre 3000 e 2000 a.C., feitas de madeira banhada na argila, com forma de espátula e cabelos de verdade. Para alguns pesquisadores, elas eram para a criança brincar no mundo do “além”, outros autores falam que, ao invés da brincadeira, elas seriam para trabalhos além vida.

Na Grécia Antiga e em Roma, nos rituais que antecediam o casamento, as jovens que iam se casar entregavam suas bonecas e outros brinquedos à deusa Ártemis, simbolizando o fim da infância. A fabricação de bonecas com objetivos comerciais teve início na Alemanha e em Paris, por volta do século XV. Eram feitas de terracota, madeira e alabastro (tipo de pedra).

E temos também a história de uma boneca muito especial : a Barbie. Em 1945, a empresa americana de brinquedos Mattel começou fabricar acessórios paras as bonecas. Em 1958, seus donos começaram a perceber que sua filha preferia brincar com as bonecas de papel que tinham grande variedade de roupas para trocar, a brincar com aquelas tradicionais. Tiveram a idéia de criar uma boneca com traços de adulto, que fosse uma mistura de Marilyn Monroe com Brigitte Bardot e tivesse roupas que acompanhassem a evolução da moda. O nome escolhido foi Barbie, o apelido de sua filha Barbara.

A boneca foi apresentada pela primeira vez em fevereiro de 1959, na Feira Internacional de Brinquedos de Nova York, chocando muitos americanos que até então conheciam apenas bonecas com feições infantis. A novidade tornou-se sucesso mundial. Barbie chegou às lojas vestindo um maiô listrado preto e branco.

Em 1961, a Mattel criou o boneco Ken, também com o nome do filho dos proprietários da empresa e, neste mesmo ano, a Barbie desembarcou na Itália e conquistou a Europa. Costureiros famosos foram convidados para vesti-la e já assumiu mais de 80 profissões, entre elas roqueira, atleta, astronauta e até candidata à presidência dos Estados Unidos.

A Barbie estava com três anos quando a Estrela decidiu que era hora das meninas brasileiras ganharem uma boneca que atendesse a seus desejos e, em 1962, criou a Susi.

Com um pouco mais de curvas do que a boneca americana Barbie e com um armário que seguia as tendências da moda brasileira, a Susi buscava criar identidade com as mulheres do Brasil.


E a história do urso de pelúcia? Duas histórias explicam a criação do urso de pelúcia. Uma versão conta que o urso de pelúcia foi inventado no século 19, nos EUA, e ficaram conhecidos como “teddy-bear” por um motivo curioso: o presidente americano Theodore Roosevelt se recusou a participar de uma caçada de ursos em 1902. Um fabricante de ursinhos de pelúcia decidiu batizá-los de ‘teddy-bear’ em homenagem à atitude de Roosevelt (Teddy é apelido de Theodore).

Uma outra versão aponta sua origem para Alemanha: o desenhista de brinquedos alemão Richard Steiff viu uma apresentação de ursos de verdade em um circo quando visitou a América e teve a idéia de fazer um urso de brinquedo com braços e pernas articulados que pudesse virar a cabeça como uma boneca. Em 1903, ele exibiu seu novo brinquedo, Friend Petz, na Feira de Brinquedos de Leipzig.

Diferentemente dos ursos de pelúcia mais modernos, os ursos de pelúcia antigos foram desenhados para se parecerem com ursos reais. Por isso, tinham uma corcova grande entre os ombros, braços longos, finos e curvados, as pernas com tornozelos estreitos que terminavam em grandes pés, o quadril sempre largo e um longo nariz.

Algumas curiosidades sobre os ursos de pelúcia: Usavam-se botões de bota ou vidro para os olhos e veludo ou feltro para as almofadas dos pés. Os olhos de plástico e almofadas de pé sintéticas geralmente datam das décadas de 1950 e 1960. Os membros eram conectados ao corpo com hastes de metal e tinham duas articulações de braço, duas articulações de perna e uma articulação de cabeça. A partir de 1905, eles passam a ter articulações de disco de madeira, o que permitia os movimentos. Tradicionalmente, o corpo era a última parte do urso de pelúcia a ser estofado e geralmente costurado à mão. O mohair – tecido feito de pêlo de cabra – era o mais usado. Eram estofados com aparas de madeira, chamadas de lã de madeira. Na década de 1920, outras fibras.

E para finalizar nossa história dos brinquedos, temos o famoso Lego, que em seu primeiro formato eram de madeira. Em 1932, na Dinamarca, um marceneiro chamado Ole Kirk Christiansen começou um pequeno negócio fabricando tábuas de passar roupa, escadas portáteis e brinquedos de madeira. Dois anos depois, com seis funcionários, deu à sua empresa o nome de LEGO, juntando as primeiras letras das palavras Leg Godt que significavam “boa brincadeira”.

Em 1949, criou o brinquedo LEGO da forma que conhecemos: tijolinhos de plástico que juntos podiam se transformar em casas, carros e em tudo o que a imaginação permitisse. Para se ter uma idéia, com seis tijolinhos pode-se obter 102.981.500 combinações diferentes.

Agora depois de contar esta história, o Museu dos Brinquedos tem o prazer de convidá-lo a mergulhar no mundo fascinante dos brinquedos e das brincadeiras. A partir de aproximadamente 900 exemplares de diferentes épocas, países e culturas, você vai fazer uma viagem e conhecer estilos e modos de vidas, regras sociais, relações pessoais, tecnologias… Sonhos e fantasias de um mundo mágico tão real.

Venha nos visitar!

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