Assassinato, Furto e Morte – Museu do Crime

Museu do Crime

No fim de um corredor, no segundo pavimento do enorme prédio da Polícia Civil na Cidade Universitária, fica o Museu do Crime. Atrás das portas duplas que separam o visitante da entrada, um acervo um tanto macabro discorre sobre drogas, falsificações, acidentes de trânsito, incêndios, armas, crimes e criminosos famigerados. Alguns desses temas podem ser um verdadeiro desafio para os estômagos mais sensíveis.

Antes de começar o passeio, é preciso desligar o celular e preencher um cadastro extenso. Menores de 16 anos não entram desacompanhados. Também não é permitido entrar trajando bermuda ou short. Uma atração interessante é a exposição de fotografias de grandes incêndios, como o do Edifício Joelma, em 1974. As imagens dos acidentes de trânsito também chamam a atenção: há fotos antigas, do começo do século, com cenas aparentemente bucólicas de ruas antigas da cidade e um ou outro carro amassado – muitas vezes com um bonde ao lado.

Um dos ambientes mais procurados é a seção de delitos famosos. Casos antigos, como o Crime da Mala, ocorrido em 1928, quando José Pistone asfixiou sua esposa Maria Fea Pistone até a morte. Para livrar-se do corpo, empacotou-o em uma mala e despachou pelo porto de Santos para um suposto Ferrero Francesco em Bordeaux, na França. A mala, apreendida pela polícia, é um dos artigos raros do museu. Dentro dela, uma boneca de cera exemplifica como Maria Fea foi esquartejada para caber no espaço.

Daniella Dolme
Sala de aula no Museu: como mostrar para os jovens que o mundo do crime não compensa

Aulas para a Polícia Civil

Além de fotos, documentos, máquinas de jogos de azar, móveis e instrumentos utilizados pela polícia desde a década de 50, o espaço também abriga armas como facas, revólveres, espingardas e metralhadoras, originalmente usadas em cenas de crimes.

Aberto ao público desde 1952, esse acervo já estava disponível em meados dos anos 20 aos alunos da Academia da Polícia Civil, em exposição nos armários das salas de aula da escola e servindo como ilustração às aulas ministradas. Dessa forma, as peças do Museu, naquela época, já tinham a função de apoio didático e técnico aos policiais civis durante a fase de treinamento para as 14 carreiras da corporação, nos cargos de delegado, perito criminal, médico-legista, escrivão, atendente de necrotério e auxiliar papiloscopista (policial especializado em identificação humana).

Desde que está alocado nesta sede (1970), o Museu possui, inclusive, uma “casa-crime”: uma maquete do tamanho real de uma casa, com sala, cozinha, banheiro e quarto, onde ficam dois bonecos simulando um suicídio ou homicídio e vários vestígios são espalhados para que os próprios alunos da polícia desenvolvam teses e demonstrem a capacidade de investigação, coleta de materiais (perícia) e proponham uma solução para o crime. Esta é a única ala totalmente restrita ao público, disponível apenas para prática de treinamento de futuros policiais e na presença dos professores da Academia.

Porém, o trabalho de investigação, a importância da perícia e de provas técnicas, o procedimento para identificação de corpos e até o método para desenvolvimento de retrato falado são etapas para a resolução de um crime citadas e comentadas ao longo do passeio, em todas as outras seções visitadas.

Daniella Dolme
Passo a passo da identificação de corpos, a importância da impressão digital e o uso de detector de mentiras

Área Criminal

O Museu ganhou fama principalmente por abrigar uma área dedicada a contar as histórias de crimes notórios, seja pelo grau de crueldade, pelo choque da sociedade na época em que ocorreu ou simplesmente por ter ganho destaque na mídia algum dia. Separado em três grandes grupos (crimes sexuais, patrimoniais e chacinas), o espaço relembra com poucas palavras e algumas imagens –apenas o suficiente– as histórias de figuras como Maníaco do Parque, Chico Picadinho, Bandido da Luz Vermelha, o italiano “homem-gato” Meneghetti e o crime da mala.

Daniella Dolme Maníaco do Parque – Chico Estrela

Francisco de Assis Pereira foi preso no dia 4 de agosto de 1998, acusado de estuprar e matar 10 mulheres no Parque do Estado, no Km 16 da Rodovia dos Imigrantes. O rapaz conquistava as moças pedindo para participarem de um ensaio fotográfico, no entanto, ao entrar na mata, transformava-se e estrangulava-as com um cadarço de tênis. Confessou os crimes com frieza e por meio de testes psicológicos ficou constatado que o motoboy possui desvios de personalidade. Em 2002, após denúncia do Ministério Público, foi condenado a 107 anos de prisão por roubar e violentar nove mulheres que sobreviveram aos ataques e a mais 121 anos pelas mortes confessadas. Atualmente está preso na Penitenciária de Oswaldo Cruz, interior de São Paulo.

Chico Picadinho Daniella Dolme

Francisco Costa Rocha cometeu o primeiro assassinato em 1966, quando estrangulou e esquartejou a ex-bailarina austríaca Margareth Suida, usando faca, tesoura e gilete. Preso após ser denunciado pelo companheiro de apartamento, confessou o crime e foi condenado a 17 anos e seis meses de prisão. Depois de conquistar a liberdade condicional, passou apenas dois anos solto, quando cometeu novamente o mesmo tipo de crime, com outras quatro mulheres, conforme apurado nas investigações. A condenação subiu para 30 anos, 7 meses e 8 dias de prisão e hoje encontra-se no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Arnaldo Amado Ferreira, na cidade de Taubaté.

Daniella Dolme Bandido da Luz Vermelha

João Acácio Pereira da Rocha começou na vida do crime cometendo pequenos furtos em Joinville, Santa Catarina, na década de 1950. Logo depois de ser preso, conseguiu fugir e veio para São Paulo, onde continuou cometendo os mesmos delitos; agora com a ajuda de uma lanterna de luz vermelha para acordar as vítimas e alcançar os objetos mais valiosos disponíveis nas residências – por isso o apelido. Apesar da luz e do lenço no rosto para esconder a aparência, Acácio descuidou-se das impressões digitais e foi descoberto pela Polícia Civil, sendo preso em 1967, quando foi localizado em Curitiba (PR). Durante o interrogatório, confessou o assassinato de quatro homens e foi condenado a mais de 300 anos, contabilizando cerca de 77 assaltos e sete tentativas de homicídio. Solto depois de cumprir a pena máxima de 30 anos, em 1997, foi morto durante uma briga com um tiro de espingarda.

Meneghetti Daniella Dolme

Gino Amileto Meneghettichegou ao Brasil em 1913 fugido da Itália, sua terra natal, e se refugiou na cidade de São Paulo, onde se dedicava à prática de furtos qualificados, entrando nas residências por meio de arrombamento ou pelo telhado – por isso ficou conhecido como o “homem-gato”, “fantástico homem borracha”, ou ainda “homem dos pés de mola”. A primeira prisão e fuga ocorreram em 1914, sendo capturado novamente em 1926, ocasião em que foi condenado por 25 anos. Entre idas e vindas no cárcere, quando estava solto, aos 90 anos, tentou entrar numa casa pelo telhado e devido à fragilidade das telhas, caiu. Por conta da idade avançada foi liberado, mas dois anos depois, em 1970, voltou a ser preso quando forçava a porta de uma casa no bairro de Pinheiros, na capital paulista. Seis anos depois, aos 98 anos, morreu de mal súbito.

Daniella Dolme Crime da Mala

José Pistone, imigrante italiano, desconfiava que sua mulher, Maria Mercedes Féa Pistone, grávida de seis meses, estava sendo infiel. Movido pelo ciúme, esganou Mercedes até a morte dentro de casa, na cidade de São Paulo, em 1928. Para se livrar do corpo, comprou uma grande mala, que depois seria despachada para o porto de Santos. Entretanto, passado um tempo, o corpo ficou enrijecido e, para acondicioná-lo, teve que quebrar o pescoço e cortar as pernas da mulher. Após ser despachada, a mala começou a cheirar mal dentro do navio, com destino a Bordeux (França), chamando a atenção dos navegantes. O malote foi então entregue a polícia, que durante as investigações conseguiu chegar ao nome do culpado por conta da nota fiscal da mercadoria. Com isso, Pistone foi condenado a 31 anos de prisão por homicídio e profanação de cadáver. Em 1948, vinte anos depois do crime, foi solto e se casou novamente em Taubaté, cidade em que morreu anos depois.

Outros crimes mais recentes estão previstos para entrar no acervo, entretanto, segundo a administração do local, a lista de nomes não pode ser divulgada para proteção da família dos envolvidos.

Serviço:
Museu da Polícia Civil – Museu do Crime
Praça Reynaldo Porchat, 219 – Cidade Universitária – Portão 1
Horário de visita: 13h às 17h, de terça a sexta-feira/ último sábado do mês das 9h às 12h
Entrada Franca
Idade mínima: 16 anos
Telefone: (11) 3039-3400
*Para grupos com mais de 10 pessoas é necessário agendar com antecedência.

fontes: Guia São Paulo e Última Instância

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2 respostas para Assassinato, Furto e Morte – Museu do Crime

  1. Leeh way disse:

    Olá!
    Adorei saber um pouco mais sobre o museu do crime, é muiito interessante. Parabéns, todas as coisas ditas aqui me deixaram com mais vontade de visitar o museu!

    Beijos.

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